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23 de Abril de 2006

_____O Uma anotação de guardanapo de restaurante, eu estava andando seguindo somente esta referência desenhada num jantar, que me fazia lembrar constantemente dos motivos que percebi a necessidade de fazer o site Sigatrilha. Para se conhecer algum lugar diferente é necessário pesquisar e ficar atento aos detalhes das informações, que são difíceis de encontrar em livros, revistas e também na internet.
_____Voltei minha mente procurando a época mais precisa de quando eu saía á procura de lugares, como uma cachoeira por exemplo, com somente um desenho na escala rascunhada de um guardanapo marcado rapidamente com uma caneta de garçom. Sempre existiu um fato interessante sobre isso: A informação recebida no sentido de “perto” sempre variou bastantes quilômetros, mas poucas informações como essas me faziam tirar a poeira da bicicleta e sair atrás de mais um lugar para conhecer e fotografar.
_____Devido a esse tipo de evento já havía decidido a fazer mapas e anotações para facilitar a vinda de novos exploradores, como nesse exemplo nasceu o conceito SigaTrilha.
_____Neste dia eu estava á procura da cachoeira do Cantagalo, em ponto turístico que aparece no folder turístico da cidade de Cruzeiro. Um desenho clássico de uma cachoeira, sem escala. Mas do que eu podia reclamar? Aquilo é um folder turístico, não poderia esperar coordenadas de latitude e longitude, porque assustaria qualquer turista que olhasse papel. A intenção é contratar guias para levar ao local.
_____A cachoeira estava por ali em algum lugar, “perto” do bairro do Brejetuba. Na escala do meu guardanapo estava á um dedo acima do bairro rural, como eu sei que essa medida do meu dedo poderia ser 1 ou 20 km, o negócio era perguntar para alguém por alí.
_____A informação foi: Ah é fácil é só seguir reto e quando você ver uma placa no meio do mato, chegou. Bem faltou dizer que nessa reta existiam algumas bifurcações. O chute foi inevitável e é nesse momento que se erra e simplesmente não se chega ao local desejado.
_____Saindo de Cruzeiro pela estrada velha asfaltada para Cachoeira Paulista no posto de guarda rodoviária virasse a esquerda e segue em direção ao bairro Várzea alegre e depois para o Brejetuba. Neste bairro últimoo continua-se no caminho de terra em direção a serra da Mantiqueira. Logo se passa por uma bifurcação ao lado de um rio, mas segue-se a esquerda. Se seguir a direita chega-se a pousada do Itaguaré, outro trajeto desse site. Depois de 1,5 km do Brejetuba observa-se uma pequenina placa á direita, não na beira da estrada, mas mato a dentro escrito “FAVOR NÃO JOGAR LIXO NO LOCAL”. Como escutei barulhos de águas e essa placa estava mais para tentar diminuir os “farofeiros” que largam todo o lixo para trás do que diminuir a incidência de colocação de lixo em um terreno rural, imaginei que essa placa era suspeita e devia ser a placa que eu estava procurando. Coloquei a bike no ombro e desci pela beira do caminho.
_____Finalmente encontrei, somente com uma referência rabiscada encontrei a cachoeira do Cantagalo.
_____A Cachoeira possui um volume bom de água que cria um lago no final permitindo bons banhos refrescantes. A pedra desta cachoeira é grande e permite bons momentos de descanso com sons de águas ao fundo.
_____Vestígios de uma construção de concreto, talvez para captação de água para uma fazenda ainda existe na parte superior da pedra. A água é um pouco mais turva que a encontrada nos rios do lado norte de Cruzeiro, possivelmente pelas distancia diferentes da serra da Mantiqueira.
Cachoeiras como esta costumam ser parada obrigatória de amantes de uma opção de lagos e quedas d’agua de final de semana para levar a família, o acesso de carro é fácil e um piq-nic se torna inevitável.

_____Na volta decidi seguir por outro caminho. No Brejetuba ao invés de descer pelo asfalto, no mesmo caminho que vim, virei na direção do bairro do Embaú-Mirin. Ali encontra-se uma igreja bem conservada numa paróquia junto á uma praça central. Existe uma certa infra-estrutura no local, já se encontra alguns bares para refrescar com uma água ou refrigerante gelado a sede de algum trilheiro. Continuando o caminho chega-se ao bairro do Embaú na estrada velha asfaltada no sentido a cidade de Piquete. Pode-se seguir para Cruzeiro pelo asfalto, mas insisti na estrada de terra seguindo um caminho até a Várzae Alegre por dentro, veja o mapa. Incrivelmente descobri que eu estava passando pela estrada real num trecho do percurso original. Encontrei um casarão muito antigo que está abandonado, mas a imponência colonial se faz presente ainda hoje na construção, é incrível como conseguiu sobreviver até os tempos atuais. Mais dados do local somente poderam ser encontrados com hitoriadores da região.
_____Após deixar o casarão para trás percebi que minha bike ficou mais pesada e como não havia passado em poças de barro para deixar o pneu mais pesado, provavelmente o pneu estava furado. Fato comprovado ao olhar o pneu de trás. Parei 1 minuto para encher e tentar rodar ao máximo com o furo, que aparentemente estava pequeno, mais duas ou três paradas como esta para encher o pneu, me faria chegar em casa sem precisar trocar a câmara de ar.
_____Em casos extremos de não se ter nenhum recurso, como câmara reserva ou remendos a frio, o melhor é encher o pneu com a maior quantidade possível de mato, preferencialmente seco, no lugar da câmara de ar e voltar pedalando leve. Isso não resolve o problema, mas ajuda a não vir empurrando a bike muitos kilômetros ate sua casa.
_____Com esse caminho preenche-se uma boa parte do levantamento dos caminhos da região oeste de Cruzeiro passando pelos bairros do: Brejetuba, Varzae Alegre, Embau, Embaú Mirin, Passa 20 e pousada do Itaguaré, que se encontram todos os trajetos nesse site.


Marcelo França

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Cachoeira do Cantagalo e bairro do Embaí-Mirim