20 de Julho de 2002
______Situado
na divisa entre os estados de Minas Gerais e São Paulo, próximo
à cidade de Passa Quatro do Lado Mineiro e à Cruzeiro do lado
Paulista, o pico do Itaguaré desafia o céu a 2307 metros de
altitude, cobiçando o olhar de qualquer aventureiro que o observa
ao ver a famosa silhueta de um gigante deitado.
______Saí eu e meu cunhado Wanderson
da cidade de Lorena às seis e meia da manhã em direção
a Passa Quatro pela estrada de Cruzeiro. Procuramos a entrada para o Hotel
das Hortênsias. Neste local existe um Guard-rail no sentido contrário
da estrada todo enferrujado que marca o ponto de entrada à esquerda,
mas ele é pouco visível para quem está subindo a serra
pelo fato da vegetação encobri-lo. A entrada é de terra
batida numa descida íngreme.
______Deste ponto em diante evoque o seu lado
Off-Road e esqueça o asfalto, o que encontramos foi muita poeira,
terra e buracos. Seguimos sempre a estrada principal em direção
ao hotel e ao pesqueiro das hortênsias. Adiante encontramos uma bifurcação
com uma grande indicação sobre o pesqueiro á esquerda
e um caminho à direita. Paramos numa casa em frente à placa
para perguntar sobre qual seria o rumo mais adequado. Por coincidência
a casa é de um conhecido. O Francisco que trabalha nos laboratórios
da faculdade onde eu e o Wanderson estudamos. Ficamos alguns minutos batendo
um bom papo típico da hospitalidade da região. Nessa bifurcação
deve-se tomar uma decisão: No caminho á esquerda anda-se 7,5
km passando pelo pesqueiro com a vantagem de ser um caminho mais ameno;
O da direita anda-se 1,5 km de atalho mas o caminho é bem difícil.
Seguimos o atalho mas recomendo para quem não quiser arrisca a ficar
parado no meio de uma subida, para seguir pelo pesqueiro.
______O caminho vai ficando com alguns trechos
de barro e finalmente conseguimos encontrar a área de acampamento
à esquerda em uma curva. Do asfalto até esta área,
percorremos 13.8 km e chegamos por volta de nove e meia da manhã.
Ali estava montada uma barraca de pessoas que estivessem subindo o pico.
Sem demora colocamos o carro em um lugar menos visível e nos apressamos
em seguir adiante.
______A trilha já começava um
pouco fechada e segue-se um riacho de pouca profundidade. Desde já
a visão do céu é limitada até ás copas
das árvores. Existem algumas bifurcações na trilha
que confundem no primeiro olhar. Chegamos a entrar em algumas bifurcações
erradas mas logo percebíamos e facilmente voltávamos ao caminho
certo. Existe um brejo no caminho que por mais que se tente não se
molhar a sujeira é inevitável.
______A trilha cada vez mais vai se fechando
e consegue-se escutar um rio pela redondeza. Estranhamente ruídos
de insetos parecidos com vespas, nos acompanharam a trilha toda, parecia
que estávamos sendo escoltados por insetos. Depois de uma hora andada
o trecho começa a ficar bastante íngreme e a trilha dá
lugar a canais de descida de água de chuva, que lembram escadas e
esse trecho cansa bastante.
______Passamos por uma pedra com a indicação
“TG <-”, com uma seta apontando o lado direito e observamos
uma grande pedra que pode servir de abrigo para uma barraca numa emergência.
No topo dessa pedra existem marcas de raios, que indica que ali não
é uma boa opção para ficar em tempestades. Essa pedra
serve como mirante e pode-se ter uma noção da altitude que
foi ganha até ali.
______A trilha de mata fechada termina numa
parede de rocha, com uma inscrição à tinta, “<“.
A primeira vista imagina-se uma seta mas esse símbolo significa para
subir, arriscamos uma “escalaminhada” e encontramos alguns totens,
indicando o que era por ali o caminho, pedra acima.
______O trecho posterior é de caminhada
em pedras e rochas, seguindo os totens. Algumas rochas possuem o formato
de animais, muito interessantes. O trecho de rocha abre espaço a
uma área de camping, que possui sinais de trilheiros, segundo informações
nesse trecho existe água mas não encontramos nenhuma fonte,
talvez esteja seca nessa época.
______Quando chegamos na pedra figurada como
a testa do gigante, observamos a elevação da pedra do nariz
e estimamos que levaríamos mais uma ou duas horas para subir e como
o tempo estava se fechando, a idéia de subí-lo estava descartada.
Então nos direcionamos a parte mais aberta para a observação
do Vale.
______O tempo estava com uma névoa pouco
densa que diminuiu a visibilidade, Lorena praticamente estava escondida,
somente Cruzeiro apareceu com detalhes. A vista é extraordinária.
Nós humanos realmente temos muita afinidade com a altitude, ao vermos
o mundo de outro ângulo parece que tudo fica mais calmo e possível.
O silêncio é fato marcante. O pico dos Marins ficou atrás
do Nariz do Gigante e não conseguimos vê-lo.
______Consegue-se ver boa parte da estrada
onde os carros sobrem para Passa Quatro. Constantemente aparecem nuvens
por detrás de nós para nos abraçar e esconder a visão
do Vale, mas logo se dissipavam. Não acreditei no fato de termos
chegado ali com poucas informações, somente imaginávamos
que seria óbvio o caminho, mas se nos deparássemos com uma
bifurcação duvidosa, com certeza ficaríamos nas mãos
da sorte para decidir qual era o caminho a seguir.
______Reparamos que o sol já estava
em hora adiantada, em hipótese alguma podíamos descer à
trilha a noite, porque também estávamos contando com o fato
de acertar o caminho da volta também. Descemos rápido porque
na mata fechada o dia escurece mais cedo.
______Já tínhamos alcançado
o nosso objetivo. Agora quem sabe numa próxima oportunidade podemos
voltar e subir até o ponto mais alto...
Marcelo França
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Pico do Itaguaré - Caminhada na testa do gigante.