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07 de Outubro de 2005


______Três horas da tarde de um dia quente, coloco minha garrafa de água vazia no suporte da bicicleta; Verifico de canto de olho se a outra garrafa continuava cheia. O gelo que ali havia já tinha derretido e com certeza estava quente, mesmo assim agradeci por ainda possuir água. Eu estava junto com mais dois amigos a caminho de um rio para refrescar o sábado de sol escaldante. O problema era que estávamos parados. O pneu de um dos meus amigos já tinha se esvaziado pela segunda vez e ainda estávamos no perímetro urbano de Cruzeiro.
______Arrumávamos a roda quando percebemos que o problema na realidade estava no pneu e não na câmara de ar. Lembrei-me de algumas das inúmeras vezes que precisei arrumar pneus furados em trilhas. Já tinha perdido a conta só de pensar.
______Para quem anda de bicicleta por lugares que normalmente estão distanciados um "bocadinho" das cidades, é bom contar com imprevistos. Um pneu furado é um bom exemplo com alta probabilidade de acontecer. Hoje com a facilidade dos celulares pode-se pensar que á ajuda para voltar de carona para casa é mais fácil, mas da mesma maneira que antigamente na época que os celulares não existiam, confiar que eles funcionarão no meio da trilha é também arriscar á ficar sem recursos e voltar para casa a pé empurrando a bicicleta.
______Para evitar ficar parado é sempre bom levar uma pequena bolsa pendurada no quadro com alguns acessórios fundamentais como: Bomba de ar, câmara sobressalente e espátulas.
______A bomba de ar deve ser leve e pequena com um detalhe importante: O bico da bomba deve servir na válvula da câmara de ar. Dois padrões existem e a bomba deve possuir a possibilidade de se adaptar ao dois tipos das válvulas das câmaras. Mesmo que a sua roda tenha um tipo de válvula, sempre existirá um companheiro com o modelo diferente, lembre-se da lei de Murphi.
______As espátulas de sacar pneu auxiliam na hora de retirar o pneu do aro, lembrando para quem nunca fez isso que essa tarefa não é fácil. Antigamente essas espátulas eram feitas de aço, inibindo seu uso devido ao peso, mas atualmente as de plástico de alta resistência facilitaram a inclusão desse item na lista básica.
______O item que possui duas classes de adeptos é: Como consertar o furo? Trocar a câmara por uma sobressalente ou tampar o furo com remendo. Levar uma câmara sobressalente com certeza é um peso extra, mas o conserto do pneu e muito mais rápido. Com essa opção você fica também precavido, se por uma infelicidade o seu furo for um buraco ou uma fenda na câmara. No caso do remendo a frio, deve-se levar uma pequena quantidade de remendos apropriados de borrachas, uma pequena lixa e uma bisnaga de cola. Eu particularmente não prefiro essa última opção por dois motivos: Primeiro, nem sempre é fácil encontrar o furo para por o remendo; Segundo, o tempo de espera para secar a cola em muitas vezes pode ser crucial, como debaixo de uma chuva ou à noite.
______A ultima coisa que também e necessário observar antes de sair é o tipo de parafuso que prende a roda na bike. Se você estiver equipado com alavancas que soltam a roda num puxar, essa tarefa é fácil; Mas se sua roda está presa por parafusos com porca, não se esqueça de levar a chave de boca apropriada ou um chave ajustável de 6", para soltar a roda. Percebi que se fosse o pneu de meu companheiro Marcelo dos Santos estaríamos sem chave para retirar sua roda.
______Voltando a situação de meu amigo, o problema estava no desgaste do pneu e não tínhamos como continuar. Levar um pneu de reserva também é um exagero. Decidimos voltar para casa e tentar ir de carro para não frustrar a tentativa de nadar neste calor.
______Abandonamos o caminho de terra que faríamos de bike e seguimos o caminho de asfalto de carro.
______Paramos o carro ao lado de uma cerca de arame farpado. Avistamos uma pedra imponente que demarca o lugar. Eu já estava gostando. Avistei logo na entrada uma ducha artificial, feita por um vazamento de alguma tubulação de água de alguma fazenda próxima.
______O melhor estava por vir, o rio possui águas cristalinas com uma leve coloração azulada. Achei incrível ver isso próximo de Cruzeiro, mas já estava me esquecendo que estávamos próximo da serra da Mantiqueira, cheia de nascentes de rios.
______Este rio que passa dentro das posses da fazenda que conheço somente pelo nome de “Japonês”, possui a característica de rio de corredeira, pela quantidade de pedras que possui. Essas pedras são claras e harmônicas, mas os seus desenhos estão em constantes mudanças; Todos os anos as enchurradas de verão modificam a paisagem. As pedras que fotografei hoje, poderão não estar por aqui no ano que vem.
______Como debaixo desse calor já estava ficando impossível não entrar na água, mergulhei em um dos poços. Quando estamos no período de chuva o nível do rio fica bem mais alto, neste dia muitos falaram que o nível estava muito baixo.
______Apos conversarmos na beira do rio, peguei a maquina fotográfica e fui subir na grande pedra que vi na entrada. É necessário fazer uma pequena escalada de três metros. Do alto da pedra contemplamos o entardecer do sol por trás das montanhas. O visual da Mantiqueira de um lado e do rio do outro convida qualquer um a uma meditação.
______Com o sol já atrás do horizonte, juntamos nossas coisas e decidimos voltar para casa, já com saudades.

Distância de Cruzeiro ao Riacho – 17 Km

Marcelo França

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Rio do Japonês - Riacho de águas cristalinas em Cruzeiro