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21 de Agosto de 2005

______No grupo escoteiro de Lorena eu e outros amigos antigamente participávamos de conquistas de “Especialidades escoteiras”, insígnias que eram conseguidas demonstrando-se algumas habilidades especiais dentro do ramo do escotismo: como por exemplo, existiam as especialidades de: cozinheiro, radialista, mateiro, nadador, salva vidas, navegador, etc. A maioria das especialidades eram conquistadas juntamente com várias pessoas, depois que apreendíamos as noções básicas com os chefes das tropas e comprovávamos o aprendizado com provas normalmente práticas. Uma dessas especialidades que eu obtive foi a de nadador, onde passei por uma prova neste lago em Lorena, chamado de “Lago dos Macacos”. A especialidade teve uma parte dos exercícios numa piscina e outra nesse lago, numa condição bastante diferente, mas existia uma razão óbvia: nossa tropa de “Sêniors”, ou melhor dizendo, escoteiros de mais de 18 anos de idade, seguiam uma tendência dos conhecimentos “mateiros”, porque acampávamos bastante e fazíamos parte do grupo terrestre, diferente dos escoteiros do mar e do ar. Por isso, testar os conhecimentos onde não se podia ver o fundo e muito menos não ter escada para entrar na água era bastante interessante.
______Dentre vários tipos de técnicas de natação de piscina, aprendemos algumas mais específicas para lagos naturais, uma delas que achei muito interessante, (nunca mais saiu da minha cabeça), foi a de utilizar um nado com uma bóia feita com as próprias calças!
______A ilustração mostra a técnica. Retira-se a calça por completo e amarra-se as duas barras do pé da calça com uma corda e um bom nó. Fecha-se o zíper e o botão. Tudo isso dentro das águas rasas e com a roupa de baixo. Segurando a calça pela cintura lance-a pelo ar para inflar-se até batê-la na superfície da água. Pode-se usar isso como uma bóia de emergência por um razoável período de tempo. Com isso atravessávamos de um lado para o outro do lago.
______Ao rever o lago percebi que caminhos novos foram feitos e na beira dele existe atualmente uma pequena casa de trabalhadores das fazendas. O lago hoje não oferece mais o isolamento de antigamente... Seguimos o caminho de Lorena passando pela Ponte Nova do Rio Paraíba. O lago não estava nem há um terço do caminho completo. Estávamos fazendo um passeio, justamente do caminho que meu irmão Rodrigo fez numa competição hà alguns dias antes organizado por “mountain bikers” de Lorena. Esse caminho dá uma volta na região rural norte de Lorena entre as cidades vizinhas de Guaratinguetá e Piquete.
______O caminho passa por bifurcações que dão acesso as duas cidades pelas vias rurais, mas numa distância tal que não dispúnhamos de tempo para tentar atingir nenhumas delas, pelo menos até antes de anoitecer. Saímos de Lorena um pouco tarde, por volta das 15h e 30 minutos, mas isso proporcionou uma visão diferente para mim. Na volta passamos por um bairro de fazendas de plantações de arroz que praticamente formavam um espelho natural ao entardecer devido ao por do sol nas águas das plantações.
______Após a noite cair, por volta das 18h estávamos passando pela fábrica de explosivos ORICA, tentando adivinhar onde possivelmente apareceria algum buraco no caminho escuro sem lanterna, na volta para Lorena. Foram percorridos aproximadamente 40 quilômetros em praticamente 3 horas, sem paradas.

Marcelo França

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Lago dos Macacos - Lorena