20
de Junho de 2003
______“Feche
o vidro do carro, por favor”; foi a expressão mais sutil que
encontrei para expressar a ultrapassagem de uma caminhonete levantando poeira
na frente do carro. Estávamos em uma estrada de chão batido
num grande período sem chuva. Somente de ver a cobertura de pó
que cobria as folhas das plantas da beira já dava para imaginar o
quanto não se via água por ali. Era o trecho da estrada que
liga Penedo a Visconde de Mauá e lembrei que tínhamos ainda
pela frente 16 km de terra.
______Logo
que se passa Penedo a estrada começa a subir a serra em direção
a Mauá e boa parte do trecho não é asfaltado, nada
que assuste um amante de aventuras, mas acredito que a situação
deve se complicar no trecho em épocas de chuvas no verão devido
às poças de barro. Lembrando que a serra para Mauá
reserva bons trechos para parar o carro e vislumbrar a cidade de Penedo
do alto, mas não é indicado para quem tem renite, sinosite,
broquite e todos as outras “ites” respiratórias presentes
devido ao tempo seco no inverno.
______Em
Visconde de Mauá procuramos informações turísticas
para procurar o camping do Torto: um camping tradicional da região,
com uma infra-estrutura mínima... ou melhor dizendo, camping com
banheiro de chuveiro quente. Ficamos sabendo que ele ficava logo depois
da pequena cidade de Maringá, seguindo uma estrada à esquerda
de Visconde de Mauá, 5 Km adiante.
______Visconde
de Mauá ficou para trás para voltarmos outro dia para conhecê-la;
a meta era chegar no camping porque estávamos em “terreno desconhecido”
e não sabíamos quanto tempo demoraríamos a chegar.
______Passamos
pela cidade de Maringá e seguimos um pouco mais adiante até
encontrarmos o camping. Para não dizer que não tivemos nenhum
problema, um pneu furado foi à única coisa que saiu da programação
de chegada, mas consegui trocar dentro do camping depois de ter montado
a barraca. ______A
saída de Cruzeiro foi às 9 horas e chegamos no camping ao
meio dia. Para almoçar existem vários restaurantes que ficam
próximos ao local de acampamento, com preços coerentes dentro
de cidades turísticas de montanhas.
______Maringá
demonstrou ser uma cidade muito bem acolhedora, pequena mas com um comércio
de turismo grande. Muitas pessoas de várias idades e estilos aparecem
por lá devido às pousadas de mais alto requinte (para pessoas
que tem acesso a confortos elevados) e também opções
baratas de campings sem nenhuma estrutura, nem mesmo com luz elétrica.
Possui o ar característico de cidade de montanha, muito bem colonizada
por descendentes aparentemente europeus, visto por algumas casas de telhados
pontiagudos e altos.
______O
que parece chamar a atenção do turista para a região
é a quantidade de pousadas oferecendo um refúgio tranqüilo
entre as montanhas, longe das cidades e da poluição. Também
chama a atenção pelas inúmeras cachoeiras e corredeiras
de fácil acesso. No eixo Mauá, Maringá e Maromba existem
vários barzinhos que o convida a sentar e desfrutar da tranqüilidade.
O que se vê muito por lá é a quantidade de pessoas que
adotaram uma cultura mais “desestressante”, seguindo uma cultura
descendente de hippie. Possui muitos ateliês de bom gosto e muitas
vendas na rua de produtos de bijuteria, para agradar os mais variados gostos
e bolsos. Sem falar da comida da região que é muito saborosa,
feita especialmente para chamar o turista a lembrar de voltar em outra ocasião
futura.
______Maringá
lembra bem de longe um estilo de uma "Campos de Jordão"
em miniatura com chocolates tradicionais, muitas adegas, lojas de roupas
de frio e vendas de cachaças da região. A cidade é
dividida em duas partes pelo Rio Preto que faz surgir duas "Maringás":
Maringá Rio e Maringá Minas, cada uma no lado em que o rio
marca a divisa entre os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. O lado
mineiro é mais rústico e sem muito asfalto e possui a grande
maioria das pousadas; já o lado carioca tem a facilidade de ser mais
asfaltado por ter a presença da estrada que corta região,
possuindo mais comércio e estrutura para o turista.
______À
distância do camping onde estávamos até Maringá
é pequena e uma caminhada de 10 minutos completa o trajeto na estrada
de chão.
Como eu precisava arrumar o pneu step fui até Maromba num borracheiro,
segundo me falaram era o único lugar que possuía alguém
que podia mexer com isso. Aproveitei para conhecer a pequena cidade. Cheia
de comércio de porte menor do que Maringá, Maromba se mostrou
outro ambiente, mais isolado e com menos infra-estrutura do que a cidade
vizinha. Neste local o comércio de apetrechos hippies se mostra muito
mais presente nas ruas e inclusive nas estradas que ligam a cidade às
cachoeiras. Maromba se mostrou um refúgio mais jovem do que Maringá.
A vila de Maromba é rodeada de artes criativas e pessoas que encontraram
paz de espírito na região. O local é caminho de pessoas
em busca das inúmeras cachoeiras e das pessoas que possuem casas,
chácaras ou sítios de recanto montanhoso na região.
______Ali
conhecemos a “Cachoeira do Escorrega”, que possui um bar-restaurante
muito bem montado do lado da cachoeira juntamente com inúmeras casas.
A altitude dessa cachoeira é de 1000 metros (registrado em alguns
segundos antes da bateria do meu relógio desligar o sensor barométrico
para continuar a manter o relógio funcionado com o resto da bateria...).
______A
cachoeira é muito bonita e é conhecida pela possibilidade
de escorregar por um trecho grande de pedra, mas a água não
estava numa temperatura muito agradável para uma turma com um pouco
de frio.
______Outra
cachoeira que conhecemos é a de “Santa Clara”, que é
mais isolada e demonstra a facilidade de se chegar com o carro nessas cachoeiras.
Das inúmeras cachoeiras conhecemos somente essas duas.
______O
camping do Torto é muito conhecido e atrai muitas pessoas. Nele se
instalaram “jeepeiros”, “mochileiros” e viajantes
em trânsito conhecendo a região. A presença do rio dentro
do camping torna o ambiente noturno mais frio. Dormir sem um bom cobertor
ou tomar um banho que não seja por volta das 17 horas é uma
tarefa árdua. Mas a compensação vem do som produzido
pelas águas que passam por pedras de uma pequena corredeira, lembrando
que existem outros sons além de rádio, CDs e buzinas.
______No
último dia dos três que ficamos na região, o tempo ficou
nublado mas sem propensão de chuva. Ao acordar começamos a
desarmar o acampamento e pouco a pouco outros campistas também começaram
a fazer o mesmo. Fomos almoçar uma bela “picanha na tábua”
no centro de Maringá e quando voltamos somente a nossa barraca estava
no camping. Muitos saíram mais cedo, devido ao tempo de retorno para
casa.
______Na
volta passamos em Visconde de Mauá, mas não vimos muitos lugares
para vislumbrar. A vila parece possuir um forte ponto de pousada para descanso,
oferecendo vida ao ar livre. O que chamou a atenção foi uma
parede de uma casa totalmente pintada com um mapa turístico da região,
com detalhes de cachoeiras e localizações das vilas vizinhas:
pintura feita por um artista que teve a idéia de mostrar os lugares
mais bonitos para os viajantes que vem à região.
______No
caminho de volta, como era de se esperar, mais poeira, totalmente previsível
depois de três dias com poeira para todo o lado. Mesmo sem chuva e
com poeira o local não deixa de ser uma ótima opção
para ficar e curtir uma cidade montanhosa, ainda mais contando com tantas
opções de lazer, que fazem quem já esteve por aqui
nunca esquecer a possibilidade de arrumar outra oportunidade de voltar.
Marcelo França
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