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02 a 03 de Fevereiro de 2002____02 a 03 de Fevereiro de 2002
Serrinha do Alambari

______Certo dia ouvi falar sobre o camping da Serrinha e a sua festa anual do vinho e do queijo, em julho na região de Penedo. Uma tradição, como a festa de cerveja no Clube dos 500 em Guará. Muitos campistas freqüentam essa festa rigorosamente.
______As únicas informações do local que eu possuía era um mapa desenhado a mão e que na região as noites eram frias, mesmo no verão.
______Decidi ir uma semana antes do carnaval, para aproveitar a calmaria e descansar.
______Saí de Lorena as 8:30 da manhã, um sábado, em direção ao KM 311 da Rod. Presidente Dutra na altura de Itatiaia, onde existe a saída para Penedo ou como está marcado em alguns lugares, a região de Visconde de Mauá no estado do Rio de Janeiro.
______Após sair da Dutra, segui em direção a Penedo e passei o trevo principal de entrada da cidade com um portal de informações. Segui a estrada sentido a serra de Visconde de Mauá. Logo se vê um pequeno trevo onde entra-se à esquerda seguindo uma indicação de uma placa mostrando a direção de um camping do CCB.
______A estrada se torna de terra batida depois de um pórtico de boas vinda à região da Serrinha do Alambari.
______Aproximadamente 4,5 Km depois do pórtico avista-se uma praça, lembrando um bosque. Pode-se parar para descansar. Continuando à direita 2 km à frente avistei a entrada do camping, logo após uma subida onde uma placa dizia "suba de primeira".
______Ao chegar no camping as 10:15 percorri 98 Km.
______O camping foi criado em um lugar realmente interessante, ele está em uma descida cheia de pedras grandes, rodeado por dois rios de corredeiras, o rio Pirapitinga à direita e o S.to Antônio à esquerda, onde no final do camping existe uma trilha que leva ao encontro dos dois rios. O ar puro se faz presente nas árvores onde apresentam um tipo de fungo avermelhado característico de ar limpo. Lá existe um rancho para festas feito em madeira escura, uma lanchonete com comida por quilo e uma sauna especialmente localizada na margem do rio Pirapitinga com uma ducha natural.
______Não se preocupe em passar frio na hora do banho, porque ali existe uma bateria de banheiros que possuem tubulação de água quente.
______No final da tarde fui conhecer a região. Cheguei até o pesqueiro de trutas, onde estas são criadas para venda “pesque & pague”. Ganhei um folheto falando especificamente sobre a Serrinha do Alambari. No quadro de fotos e avisos estava escrita à lenda da Pedra Sonora, descrita abaixo, e informações sobre Penedo. Logo começou a chover e apareceu uma neblina densa.
______Voltando surgiu adiante um atelier da artista Vera Maria, que fez do lado se sua casa um local de trabalho e exposição. Ela é muito conhecida na região por desenhar anjos das pessoas, que é uma expressão artística do que ela enxerga olhando nos seus olhos. Sua arte é criativa e original, possui quadros onde troncos saltam da tela com uma perfeita harmonia. Possui também esculturas em madeiras de árvores recheadas de duendes, gnomos e bruxinhas. O atelier possui uma localização privilegiada, onde se vê Penedo ao longe de um lado e o pico das Agulhas Negras do outro. O atelier é um bom lugar para renovar o olhar e uma ótima aula de criatividade.
______De volta ao camping, a chuva dava a impressão de ser constante e me preparei para passar uma noite chuvosa. À noite a chuva ficou mais forte. Nessa região praticamente chove todos os dias no verão, pode-se reparar nas montanhas da Mantiqueira que todas as tardes chove por aqui.
______O som da chuva no teto da barraca estava em disputa com o barulho das águas do rio Pirapitinga batendo nas pedras das corredeiras. Logo o estrondo de uma tromba d’água no rio chegou e demonstrou que com a natureza não se brinca. O barulho era demonstrativo de muita água descendo e arrastando tudo o que estivesse na frente. Bom que o rio fica num nível bem mais baixo, além de que existe ali uma placa pedindo cuidado com trombas d'água, orientando não acampar por ali.
______Logo de manhã, mesmo depois da chuva ter passado, o rio continuava com o seu leito mais alto do que o dia anterior.
______Fui conhecer as trilhas da região no final do camping seguindo as placas de indicação.
______Fui direto à trilha do Poço das Esmeraldas, com as águas bastante revoltas, mas segundo dois mineiros que encontrei, o leito estava muito alto devido à chuva, não demonstrando o efeito de cor esmeralda, que dá nome ao poço. Esse poço fica no rio Santo Antônio.
______Voltei um pouco e encontrei a confluência, que é a união entre os dois rios, o Pirapitinga e o Santo Antônio. As águas desse último estavam mais volumosas, revoltas e mais escurecidas do que o primeiro. Logo na frente avista-se uma ponte que todos perguntam, ”de onde é?”, porque não passamos por ela na vinda ao camping, mas pertence a uma das fazendas particulares da região.
______Depois de almoçar no restaurante por quilo do camping comecei a guardar as coisas no carro porque a intenção era conseguir passar em Penedo.
______Uma pedra em forma de cunha muito bem talhada pelas águas recebeu o nome de "pedra sonora" devido a uma lenda indígena. O interessante é que as ranhuras no formato da pedra caracterizam um desenho de um longo período de choque brusco com águas, por exemplo de uma cachoeira que, a entalhou com cantos bem afunilados. Totalmente o contrário é a pedra abaixo dela, com característica de pedra de fundo de rio com cantos arredondados suavemente. Pelo relevo do local em volta é possível imaginar um rio antigo mas não uma cachoeira neste local, e ainda mais uma pedra arredondada totalmente constratando em formato com uma em cunha logo em cima. Parece que foram colocadas ali, uma em cima da outra.
______Passei em Penedo para conhecer a cidade e a primeira impressão que tive da cidade foi a de achar que não estávamos no Brasil e sim em algum lugar que me lembrava a Europa, mais tarde viria a saber que ali é uma colônia Finlandesa e entrei sem saber disso, então a tentativa de demonstrar uma Finlândia ou uma imagem européia, funcionou.
______Levei minha filha para conhecer a réplica original da Casa do Papai Noel e a fábrica de brinquedos para depois dar uma volta na cidade. Fiquei encantado com a cidade e, como estava armando uma boa chuva, decidi vir embora porque já estava escurecendo. Prometi retornar para andar nos artesanatos.
______Na estrada eu fui fisgado por um exemplo interessante de propaganda bem feita. Vários carros passaram com caixas de lanches do McDonalds guardados ou deixados no vidro traseiro, vindos de Resende. Eles me fizeram passar Lorena e ir até Aparecida comprar dois lanches e depois voltar para casa, simplesmente 25 Km a mais de viagem para saciar a vontade.


Marcelo França

 

______Lenda da pedra sonora
______Na região existiam duas tribos indígenas: os Puris e os Coroados, que viviam em confrontos em busca das posses das terras. Certa vez, diz a lenda, dois guerreiros de tribos diferentes se encontraram e se enfrentaram. O guerreiro da tribo Puris foi gravemente ferido e foi deixado pelo oponente. O Índio se viu a morrer sem forças para buscar ajuda, deixando o seu martelo cair. Quando a martelo foi ao chão, produziu som ao bater em uma pedra. Assim, com as últimas forças o índio ferido conseguiu continuar a bater na pedra com seu martelo, até que fosse ouvido por índios de sua tribo que mesmo à distância conseguiram escutar as batidas. O guerreiro foi encontrado e salvo. Essa história da “pedra sonora” foi contada de geração para geração até que ela chegou ate nós.

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Serrinha do Alambari - Penedo