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03 de Abril de 2005

 

______Esse dia de domingo, poderia ser considerado diferente, estávamos revivendo um grupo de ciclistas que estava guardado na nossa memória. Quando jovens em Lorena eu e mais alguns amigos criamos um grupo de pessoas que gostavam de sair para pedalar no final de semana, justamente para preencher os dias que não tínhamos muito que fazer, juntávamos quase todas as sextas-feiras para decidir qual seria o caminho a rodar no final de semana.
______Nesse momento que pensava sobre o assunto, meu irmão passou por mim reclamando que estávamos muito devagar. Pensei comigo - “isso é revanche” - agora ele estava em forma com seus 23 e eu com muitas horas de trabalho. Mas antigamente a situação era invertida eu estava no meu auge da forma física andando de bicicleta todo o final de semana e meu irmão vivia reclamando que estava longe e que já tinha andado demais e queria voltar para casa. Por isso eu acho que ele deve ter guardado no seu inconsciente por 10 anos o momento da vingança.
______Estávamos iniciando uma volta num caminho clássico da época antiga de 25 km para o bairro de Santa Lucrécia, um vilarejo rural pertencente ao município de Lorena na direção leste. À distância de Lorena ao vilarejo é exatamente um quarto disso mas estávamos dando a volta por trás, para passar numa subida muito íngreme que é chamada de “Morro Frio“. Este caminho é muito utilizado pela população rural da região da serra Quebra Cangalha para chegar a Lorena, muito usado pelos fazendeiros, por isso é bastante movimentado.
______O caminho é feito para passagem de carros e boa parte em chão batido, nada considerável para ciclistas e totalmente sem graça para “caminhantes”. Para ciclistas o local se torna um local para treinos porque não oferece nenhuma dificuldade técnica. Ele começa pelo lado esquerdo da empresa Yakult e passa pela área considerada como distrito industrial de Lorena; um pólo com algumas pequenas indústrias da região, com nada de interessante a ressaltar, pelo menos do ponto de vista aventureiro. O caminho segue pela direção sul passando pela tubulação enterrada da Petrobrás de gás natural. Logo o morro frio aparece. Esse morro tem sua personalidade porque é muito íngreme e um pouco difícil de subir.
______O topo deste morro sempre foi o ponto de encontro dos “fora de forma”, mesmo na época antiga. Neste local procurei a mesma árvore na beira da estrada que sempre estava lá e eu acreditei que ao longo dos anos as chuvas iriam derrubá-la por ser pequena e por ter nascido à beira de um barranco exposto. Mas ela estava lá.
______A descida do morro é o que mais chama a atenção nesta trilha, ela fornece alguns minutos de adrenalina devido à velocidade que se consegue atingir. É preciso cuidado, pois eu mesmo já vi alguns amigos perderem a curva e baterem de frente nos barrancos por se empolgarem com a velocidade, principalmente por esquecerem das valetas que as águas da chuva abrem no chão ao atravessar de um lado para o outro da estrada.
______Logo depois do final da descida do morro frio chega-se a uma pequena igreja que é o momento de virar à direita. Pode-se seguir reto, mas o caminho sobe a Serra da Quebra Cangalha em direção a Serra do Mar, lá existem diversas subidas difíceis para serem vencidas e nunca conseguimos encontrar o final deste caminho.
______Seguindo a direita logo adiante aparece outro morro íngreme, com trechos de pedras calçadas para ajudar o motorista em dias de chuva e barro.
______Chega-se a uma bifurcação onde seguimos à direita em sentido ao bairro de Santa Lucrécia, neste pequeno vilarejo, existe uma igreja e um barzinho do “Seu Antônio”, onde paramos para tomar um refrigerante e reabastecer as garrafas de água. Neste ponto ficamos descansando alguns minutos.
______Reparamos que alguns ciclistas chegavam ao vilarejo e retornavam. O caminho de Lorena até ali estava asfaltado e muitos ciclistas estavam fazendo treinamento naquele trecho.
______No final do caminho já estamos chegando novamente perto da fábrica Yakult, mas agora pelo lado contrário de onde partimos. O caminho fica rodeado por eucalipto, que deixa um cheiro característico no ar.
______Retornamos a entrada de Lorena no trevo KM 52 da Dutra, de onde partimos.
______Esse dia foi para mim um marco porque eu estava cumprindo a promessa de que em 2005 eu retornaria a fazer mais algumas viagens e deixaria de ficar somente olhando minhas antigas fotografias.

______Distância total percorrida – 25 Km
______Tempo total – 2h e 40 min total

Marcelo França

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Bairro Santa Lucrécia - Lorena